Qual é a diferença entre fascite e fibromatose plantar? Ortopedista explica

Diferença entre fascite e fibromatose plantar

Qual é a diferença entre fascite e fibromatose plantar? Ortopedista explica

A doença de Ledderhose ou fibromatose plantar é um processo no qual o corpo forma nódulos duros ou fibromas na parte inferior do pé, ligados à fáscia plantar, o ligamento que sustenta arco. Os nódulos são benignos e compostos de tecido fibroso (cicatrizes), diferentemente da fascite onde corre apenas uma inflamação desse tecido.

A fibromatose classifica-se como um distúrbio “hiperproliferativo”, ou seja, um distúrbio em que há um crescimento excessivo de tecido e é considerada uma doença rara, diferente da fascite, que é muito comum, principalmente em atletas.

Ambas ocorrem mais comumente em homens do que em mulheres, normalmente na faixa dos 30 aos 50 anos, raramente em crianças e mais comumente em caucasianos. Tal como acontece com muitos tumores, o Ledderhose não tem causa conhecidas. Já a fascite tem como principal fator a sobrecarga mecânica.

Existem alguns fatores de risco associados à fibromatose, tais como diabetes, doença hepática alcoólica, traumas de repetição e uso de anticonvulsivantes. Os casos de fibromatose plantar familiar são raros; todavia, a presença de predisposição familiar pode ampliar o risco de desenvolvimento da doença. Devido à alta taxa de concordância com a contratura de Dupuytren (fibromatose na mão), há suspeita de que um defeito compartilhado no reparo da fáscia após o excesso de atividade de impacto poderia ser o culpado, mas nenhuma etiologia definitiva foi elucidada até o momento, por isso ainda as doenças são confundidas.

Para fazer o diagnóstico, o médico precisa realizar exame físico para encontrar possíveis nódulos na planta do pé e buscá-los também em outras regiões do corpo, bem como colher a história relatada pelo paciente quanto aos sintomas. Para eliminar outras doenças possíveis, o profissional de saúde também deve prescrever um exame de ultrassom ou ressonância magnética. Outros procedimentos não costumam ser necessários.

Fibromatose plantar: nódulos
Fibromatose plantar: nódulos

O tratamento da fibromatose plantar não costuma ser indicado a não ser que os nódulos estejam suficientemente grandes para causar dor relacionada à pressão e à descarga de peso. Neste caso, órteses podem ajudar a redistribuir a pressão das lesões nodulares fibróticas, assim como fazemos na fascite.

Medicamentos orais e injetáveis, bem como a onda de choque extracorpórea, mostraram-se adequados apenas para proporcionar alívio sintomático, com este último fornecendo algum amolecimento das lesões. Radiações ionizantes e injeções intralesionais de corticosteroides mostraram em alguns trabalhos reduzir o tamanho dos nódulos. O controle do diabetes e a redução do consumo de álcool são de suma importância, assim como a biomecânica da corrida nos casos onde há alteração importante.

Na fibromatose, a cirurgia geralmente resulta em alta taxa de recorrência e, às vezes, em tecido cicatricial doloroso, exigindo nova cirurgia. Já na fascite, a fasciotomia hoje é feita como uma intervenção percutânea, mostrando bons resultados.

Vale a pena fazer o diagnóstico de forma correta e cuidadosa, pois devido à mesma localização pode haver confusão, quando na verdade as doenças são bem diferentes uma da outra em vários aspectos, principalmente no prognóstico.

Bons treinos!

Dra Ana Paula Simões colaborou Renato Zuppani, paciente que tem fibromatose e é corredor: renatozuppani@hotmail.com.

Publicado Também em: Eu Atleta

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