Quando os ossos não aguentam – Fratura por Estresse

Fratura por estresse

Quando os ossos não aguentam – Fratura por Estresse

A FRATURA POR ESTRESSE ASSOMBRA MUITA GENTE QUE PULA ETAPAS E NÃO SEGUE UM TREINAMENTO ADEQUADO

Ir além do mundo das provas de 10 km e desafiar o corpo numa meia-maratona são realizações cada vez mais comuns no Brasil, país que já experimentou o primeiro impacto do chamado boom da corrida de rua e agora vê uma geração de atletas amadurecendo no asfalto, partindo para aventuras mais longas.

O lado ruim é que os consultórios especializados vêm acusando muitos corredores com fratura por estresse. Ana Paula Simões, mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa Casa de São Paulo, informa que 10% das fraturas esportivas ocorrem por estresse. “As fraturas por estresse são causadas por uma multiplicidade de fatores. Mas o que mais vejo são pessoas que começaram a aumentar a planilha de treinos repentinamente. Submetem-se a uma planilha aguda, treinos com volume muito intenso. Aí os ossos não aguentam e fraturam”, diz.

PANCADA ATRÁS DE PANCADA

A fratura por estresse ocorre quando o osso é submetido a cargas muito intensas e não suporta tamanha pressão. O problema normalmente se anuncia com graus variados de inflamação. A sobrecarga e o aumento do impacto fragilizam o osso a ponto de fazê-lo trincar e quebrar.

Segundo Ana Paula Simões, os pacientes acometidos por esse tipo de fratura frequentemente possuem algum grau de fraqueza muscular. “Se o músculo não tiver capacidade de absorver o impacto, a energia fica retida nos ossos, que perdem a capacidade de impulsionar o corpo.”

O peso é outro agente determinante nessa espécie de complô contra o osso. Muitos dos que praticam atividades físicas o fazem por causa do sobrepeso, que transfere essa sobrecarga à estrutura óssea. “Há outras causas, como variáveis genéticas, problemas hormonais, uso de drogas. Os corticoides e as estatinas, utilizadas para baixar o colesterol, reduzem a densidade mineral óssea. Elas enfraquecem os ossos, assim como cigarro e álcool”, afirma a ortopedista.

Os casos de fratura por estresse também aumentam com o crescimento da
participação feminina nas corridas. “Em mulheres é mais comum a fratura por conta das alterações hormonais decorrentes da atividade esportiva. Falamos da tríade da mulher atleta. Às alterações hormonais associam-se as mudanças nutricionais, com a adesão a dietas exageradas. Em muitos dos casos, baixa bastante a entrada de minerais, que desencadeia a famosa osteopenia, ou enfraquecimento do osso. Decorre da osteopenia a predisposição à fratura por estresse”, assinala Ana Paula.

FUJA DESSA ROUBADA

Para almejar participação numa meia ou uma distância mais longa, é necessário seguir planilhas progressivas, sem afoiteza, recomenda a ortopedista. O fortalecimento muscular é a base para qualquer esporte. “Fique atento também aos fatores biomecânicos, à forma como você pisa, corre e aterrissa. Muita gente tem a pisada bem alterada, com o joelho muito para dentro ou para fora”, observa. Entre as causas, a única que não dá para corrigir é a genética. Nesse caso, a saída é usar cálcio e tomar vitamina D. Além de buscar fortalecimento muscular e atentar à saúde dos ossos, o corredor deve verificar o que pode fazer para reduzir o impacto. Procurar informações sobre modelos de tênis mais compatíveis às suas necessidades particulares é fundamental. “Outra dica muito valiosa — não se limite a treinos no asfalto. É importante a pessoa variar o tipo de terreno, procurando grama, areia, terra. O asfalto e o concreto devolvem muito impacto ao corpo”, destaca a médica.

RESPEITE O TRATAMENTO

Evelyn Vaz do Amaral, de 40 anos, é uma das atletas que passaram pelo consultório de Ana Paula no mês passado. Habituada a realizar praticamente todos os seus treinos para provas curtas em esteira, teve o cuidado de procurar uma assessoria esportiva para estrear na meia-maratona. esportiva para estrear na meia-maratona. Aumentou a quilometragem e era só alegria. Participou de uma prova dominical de 9 km, à qual somaria um trecho de treino de 5 km para cumprir o seu “longão” do fim daquela semana, de 14 km. No sétimo quilômetro, as dores começaram a atacá-la. Não deu outra: a ressonância mostrou uma fratura por estresse na tíbia.

A notícia boa é que, dependendo do grau da fratura, a recuperação não demanda tanto tempo. A cicatrização ocorre entre quatro e seis semanas, segundo Ana Paula — em alguns casos, oito. Evelyn ficará afastada dos treinos de corrida por um mês. “Já comecei a fisioterapia. Em breve vou poder fazer o transport e bicicleta”, consola-se a corredora. “Acho que pensei muito na prova e me esqueci de outras coisas”, reflete, já se preparando para aumentar a dedicação à musculação.

Em alguns casos, de fraturas em zonas de difícil consolidação, é necessária cirurgia. A maior parte das ocorrências, no entanto, pede apenas tratamento conservador. “Para não perder o condicionamento cardiorrespiratório, o corredor pode pedalar, fazer transport, nadar”, sugere Ana Paula.

Para estimular a consolidação óssea, os médicos adotam ingestão de cálcio, estimulação por ondas de choque e até a infusão de células mesenquimais, um método ainda experimental. No combate
à dor, a acupuntura é uma excelente aliada. Apenas em casos nos quais o paciente acusa dores fortes procede-se à imobilização.

EVITE ALTO VOLUME DE TREINOS E RESPEITE AS PLANILHAS DO SEU TREINADOR

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