Motivação para correr e risco de lesões durante a Pandemia

Motivação para correr e risco de lesões durante a Pandemia

Motivação para correr e risco de lesões durante a pandemia de COVID-19: uma pesquisa com 1147 corredores. Confira!


Corrida é um dos esportes mais populares do mundo devido à sua acessibilidade, uma vez que pode ser praticado apenas com um tênis, na rua.


Essa afirmação é tão verdadeira que é percebida no fato de que o número de adeptos aumentou em 60% na última década.


A pandemia da COVID-19 impôs ao mundo severas restrições de isolamento social, levando ao fechamento de academias e grupos de atividades e à restrição do uso de praças e parques.


Todas essas restrições também afetaram o mundo da corrida com cancelamentos e adiamentos das provas presenciais, além de mudanças drásticas na rotina de treinamentos.


Todavia, não há, ainda, dados exatos de como a pandemia influenciou o comportamento dos corredores em termos de volume, intensidade e motivação de treinos.


Outra importante preocupação é como a mudança comportamental dos corredores influenciou nas taxas de lesões associadas à corrida.


Estudos pré pandemia mostravam que 90% dos corredores já tiveram alguma lesão associada à corrida, principalmente quando há erros no treinamento.


Com a adaptação no treinamento devido às restrições pela pandemia, é certo que houve alteração na taxa de lesão associada à corrida e saber sobre essa alteração é de extremo valor para preparar o treinamento com foco para programas de prevenção de lesão.


Um estudo publicado numa revista da acadêmica americana, analisou a forma como a pandemia influenciou no comportamento de homens e mulheres na corrida, independentemente do nível de treinamento.


E iremos trazer aos leitores do eu atleta seus principais tópicos resumidamente:

1- Estresse: Principal motivação para correr


É certo que a pandemia gerou um estresse diário muito maior. A pesquisa mostrou que, em resposta a esse estresse, a população passou a correr mais, porém, houve uma diminuição na intensidade dos treinamentos e aumento nos índices de lesão nos membros inferiores. Alguns entrevistados relataram ainda uma diminuição na sua motivação, principalmente os que praticavam corrida à menos de 3 anos.

2- Treinamento


No geral, os corredores aumentaram o número de corridas por semana, a
quilometragem semanal e o número de vezes do dia que optaram por correr. Isso ocorreu, provavelmente, pela acessibilidade da corrida e também pela saúde física e mental gerada.


Os motivos de corrida também mudaram dos aspectos sociais e competitivos da atividade, em direção ao alívio do estresse, ocupação do tempo livre e preparação física.

3- Volume


O aumento de volume com diminuição de intensidade é um fator que deve ser observado de perto por treinadores e médicos durante a transição e volta aos treinos normais.


Aumentos repentinos na intensidade do treinamento de corrida têm sido associados a lesões agudas nos membros inferiores, e as três mais citadas foram :

  • Tendinopatias de Aquiles;
  • Tensões e dores no gastrocnêmio ( panturrilha);
  • Canelite / síndrome de estresse tibial medial;
  • Dor femoropatelar.

O que fazer com essas informações?


Uma ênfase na reintrodução gradual aos treinos e treinos de alta intensidade, como intervalos e treinos de velocidade, deve ser considerada durante o retorno ao treinamento de corrida competitiva.

4- Lesões de corrida


Lesões por uso excessivo são frequentemente citadas como ocorrendo com mudanças repentinas de treinamento.


Lesões prevalentes por “overuse” nas extremidades inferiores estão relacionadas a erros de treinamento, como correr principalmente no asfalto e alta exposição semanal de corrida, situação da maioria dos corredores na pandemia.


Com isso, o estudo também pode concluir que não apenas o risco de lesão foi maior entre os participantes durante a pandemia, mas dentre as lesões relatadas derivadas pelo uso excessivo, ( esforço repetitivo) principalmente sem haver trabalho de base como s exercidios resistidos e funcionais para corrida.

5- Idade


No geral, corredores mais jovens foram significativamente menos propensos a diminuir sua quilometragem em comparação com todas as outras faixas etárias.


Grande parte desse público relatou utilizar tecnologia para manter o controle de suas corridas.

Dos corredores que relataram diminuição dos treinamentos, as principais queixas foram falta de incentivo da comunidade e da equipe para manter hábitos de corrida.

6 – Motivação para correr


Uma saída para evitar a desistência é usar a tecnologia para manter os corredores em contato uns com os outros, promovendo suporte social, evitando a perda da desmotivação competitiva e ainda, podendo ser local para realização de competições online.

Conclusão:


Que a pandemia de COVID-19 influenciou o comportamento dos corredores já é mais do que certo, principalmente na mudança de motivação. Antes, corriam para competir e socializar, e hoje correm para aliviar o estresse, ocupar o tempo e manter o preparo físico.


Com isso, aumentou o risco de lesão por uso excessivo dos membros inferiores, se comparado com dados do ano anterior.


Esses dados são importantes e devem ser considerados por médicos do esporte e técnicos na hora de prescrever exercícios e planilhas de corrida tanto agora, durante o período de isolamento social, quanto no período pós pandemia.


Espero que tenham gostado e encontrem motivação para correr valentes!


Autores:


Laila Marques Silva – Medicina Anhembi Morumbi SP – @laiilasiilva
Gabriel Chagas Brandão de Morais – Ciências Médicas BH – @gabrielcbm


Referências:


1- https://www.anapaulasimoes.com.br/nossos-artigos/o-que-nao-fazer-na-
quarentena-cinco-erros-e-dicas-para-evita-los/


2- DeJong AF, Fish PN, Hertel J (2021)Running behaviors, motivations, and injuryrisk during the COVID-19 pandemic: A survey of 1147 runners. PLoS ONE 16(2):e0246300.


Ficou alguma dúvida? Me segue lá no Instagram: @draanapsimoes

Dra. Ana Paula Simões
Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.

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