Cinco Sinais de que a Artrose no Tornozelo Está Avançando
A artrose no tornozelo é uma doença degenerativa que afeta a cartilagem da articulação, comprometendo a qualidade de vida dos pacientes. Embora seja menos comum que a artrose em joelhos e quadris, ela pode ser igualmente dolorosa e limitante.
Identificar os sinais de avanço é fundamental para buscar orientação médica no momento certo. O acompanhamento precoce com um ortopedista pode retardar a progressão da doença, aliviar os sintomas e ampliar as opções terapêuticas.
Dor Constante e Mais Intensa
O primeiro e mais evidente sinal de que a artrose no tornozelo está avançando é a piora da dor. Nos estágios iniciais, a dor tende a ser intermitente, aparecendo após esforços prolongados ou no final do dia. Com a progressão da doença, ela se torna ainda mais frequente e intensa, passando a acompanhar o paciente mesmo em repouso.
Essa dor pode apresentar características diferentes, como sensação de peso, queimação ou pontadas. Em muitos casos, o desconforto chega a afetar o sono, já que a inflamação e a rigidez noturna dificultam o repouso adequado. Isso gera um ciclo de fadiga que piora a qualidade de vida do paciente.
A dor matinal é outro aspecto importante: tende a ser mais forte nos primeiros movimentos do dia, aliviando-se após algum tempo de atividade. Esse padrão está relacionado à rigidez articular, mas quando a artrose progride, a dor pode se manter constante ao longo de todo o dia.
Quando a dor deixa de estar associada apenas ao esforço físico e começa a limitar atividades simples, como caminhar pequenas distâncias ou permanecer em pé por pouco tempo, é um sinal claro de que a artrose do tornozelo está em estágio avançado.
Rigidez e Perda de Mobilidade
A rigidez articular é outro indicativo de progressão da artrose no tornozelo. Ela ocorre pelo desgaste da cartilagem, espessamento da cápsula articular e formação de osteófitos, que limitam o movimento.
Na fase inicial, a rigidez geralmente é percebida pela manhã ou após longos períodos de inatividade, melhorando com a movimentação. Contudo, quando a doença avança, essa sensação de travamento se torna mais frequente e duradoura, prejudicando atividades cotidianas como subir escadas ou caminhar em terrenos irregulares.
A perda de mobilidade não se restringe apenas ao tornozelo. É comum que o paciente comece a compensar a limitação articular com outros movimentos, sobrecarregando o joelho e o quadril. Essa compensação muitas vezes leva ao surgimento de dor em outras articulações.
Quando o tornozelo já não consegue realizar movimentos básicos de flexão e extensão, e o paciente precisa adaptar sua forma de andar para reduzir o desconforto, estamos diante de um sinal claro de agravamento da artrose.
Inchaço e Inflamação Recorrentes
O inchaço no tornozelo pode surgir em diferentes fases da artrose, mas sua recorrência e intensidade aumentam conforme a doença progride. Esse sintoma está diretamente ligado à inflamação da articulação, que gera acúmulo de líquido sinovial e alterações nos tecidos moles ao redor do tornozelo.
Nas fases avançadas, o tornozelo pode apresentar inchaço visível após pequenas atividades, como caminhadas curtas ou até mesmo ao permanecer em pé por alguns minutos. Esse processo inflamatório causa desconforto adicional e aumenta a sensação de pressão sobre a articulação.
A região também pode apresentar calor e vermelhidão, principalmente em períodos de crise inflamatória. Esses episódios costumam ser acompanhados de dor intensa e limitação funcional significativa.
A persistência do inchaço é um sinal de que a articulação já não consegue se recuperar adequadamente após esforços, evidenciando a progressão da degeneração articular. Esse quadro, quando não tratado, favorece ainda mais a deterioração da cartilagem.
Deformidades Visíveis no Tornozelo
Com o avanço da doença, as alterações estruturais tornam-se visíveis. A formação de osteófitos, associada à perda de cartilagem e ao desalinhamento articular, pode causar deformidades perceptíveis no tornozelo.
Essas deformidades geralmente aparecem como saliências ósseas ou alterações no eixo da articulação. É comum que o paciente perceba que o tornozelo está torto ou desalinhado, apresentando diferenças entre um pé e outro. Essa condição não apenas compromete a estética, mas também interfere na função da articulação.
As deformidades prejudicam a marcha e aumentam o risco de quedas, já que o apoio do pé deixa de ser firme e estável. Em alguns casos, o paciente precisa utilizar calçados ortopédicos específicos ou órteses para manter o equilíbrio.
Quando a artrose chega a esse nível de comprometimento, as opções conservadoras geralmente já não são suficientes, sendo necessário avaliar tratamentos cirúrgicos, como artrodese ou prótese de tornozelo.
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Limitação Funcional e Impacto na Qualidade de Vida
Talvez o sinal mais preocupante de que a artrose no tornozelo está avançando seja a limitação funcional. Ela se manifesta quando o paciente não consegue mais realizar atividades simples do dia a dia, como caminhar, praticar exercícios leves ou permanecer em pé por curtos períodos sem dor.
Essa limitação impacta diretamente a qualidade de vida, comprometendo a autonomia e, muitas vezes, gerando forte impacto emocional. A frustração por não conseguir realizar tarefas básicas pode levar a quadros de ansiedade e depressão, comuns em pacientes com doenças crônicas.
A restrição de movimentos também favorece o sedentarismo, que por sua vez aumenta o risco de outras doenças, como hipertensão, diabetes e obesidade. Esse ciclo de inatividade e dor torna o tratamento ainda mais desafiador.
A artrose no tornozelo é uma condição progressiva que, quando não tratada adequadamente, pode causar limitações significativas. Identificar os sinais de avanço da doença é fundamental para buscar ajuda médica e adotar medidas que retardem sua progressão.
Se você apresenta dor persistente, rigidez, inchaço frequente ou dificuldade para realizar suas atividades do dia a dia, agende sua consulta e receba a orientação adequada.

Dra. Ana Paula Simões Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.


