Artrose no Dedão do Pé: Diferença entre Hálux Rígido e Joanete
O dedão do pé, também chamado de hálux, desempenha um papel fundamental na marcha, sendo responsável por boa parte da propulsão durante o caminhar e a corrida. Quando essa articulação é lesionada ou afetada por outros problemas, a qualidade de vida pode ser bastante comprometida. Entre as principais condições que acometem o hálux estão a artrose no dedão do pé, conhecida como hálux rígido, e o joanete, chamado de hálux valgo.
Embora ambas as condições possam causar dor e deformidade no dedão, tratam-se de problemas distintos, com origens, sintomas e tratamentos diferentes. A confusão entre os dois é bastante comum, mas compreender a diferença é essencial para o diagnóstico correto e para definir o melhor tratamento.
O que é Hálux Rígido
O hálux rígido é uma forma de artrose que afeta a articulação metatarsofalângica, localizada na base do dedão do pé. Essa doença é caracterizada pela degeneração progressiva da cartilagem articular, levando a dor, rigidez e perda de mobilidade.
Nas fases iniciais, o paciente costuma sentir dor ao movimentar o dedão, principalmente ao caminhar ou correr. Com o passar do tempo, a articulação perde amplitude de movimento, dificultando a realização de atividades simples do dia a dia. É comum que a limitação funcional aumente com a evolução da doença.
Um dos sinais típicos do hálux rígido é a presença de osteófitos, popularmente conhecidos como “bicos de osso”. Eles se formam ao redor da articulação e podem causar atrito com os calçados, gerando desconforto adicional.
Essa condição é mais comum em adultos de meia-idade e idosos, mas também pode afetar pessoas jovens, especialmente aquelas que já sofreram traumas ou apresentam predisposição genética.
O que é Joanete (Hálux Valgo)
O joanete, ou hálux valgo, é uma deformidade estrutural em que o dedão do pé se desvia em direção aos outros dedos, provocando uma saliência lateral característica. Diferente do hálux rígido, que é um processo degenerativo, o joanete está associado a fatores biomecânicos e estruturais.
A principal queixa dos pacientes com joanete é o incômodo provocado pelo atrito do calçado contra a proeminência óssea. Esse atrito pode causar inflamação local, vermelhidão e formação de calos dolorosos. Em alguns casos, a dor se estende para a articulação e prejudica a mobilidade.
Entre os fatores de risco para o desenvolvimento do joanete estão o uso frequente de calçados apertados ou de bico fino, alterações anatômicas no formato do pé e histórico familiar. Essa condição é mais prevalente em mulheres, provavelmente pela maior utilização de calçados inadequados.
Apesar da deformidade visível, o joanete não representa um desgaste articular, como acontece no hálux rígido. No entanto, quando não tratado, pode levar a sobrecarga em outras articulações e, em alguns casos, evoluir para uma artrose secundária.
Diferenças entre Hálux Rígido e Joanete
A principal diferença entre o hálux rígido e o joanete está na origem. Enquanto o primeiro resulta de um processo degenerativo que afeta a cartilagem e leva à rigidez e dor, o segundo é uma deformidade estrutural, em que o dedão se desvia lateralmente.
- No hálux rígido, o sintoma predominante é a rigidez, com grande dificuldade para movimentar o dedão.
- No joanete, a queixa principal é o incômodo causado pelo atrito e a deformidade estética.
Outra diferença importante está na evolução do problema. O hálux rígido tende a piorar com o tempo, comprometendo cada vez mais a mobilidade do paciente. Já o joanete pode se manter estável por anos, mas frequentemente piora com o uso de calçados apertados ou com o aumento da sobrecarga no pé.
Além disso, o tratamento inicial de cada condição também difere:
- O hálux rígido pode se beneficiar de infiltrações e fisioterapia para controle da dor.
- O joanete requer adaptação dos calçados e, em casos mais graves, correção cirúrgica da deformidade.
Tratamentos Disponíveis
O tratamento do hálux rígido depende do estágio da artrose. Nos estágios iniciais, medidas conservadoras como fisioterapia, palmilhas ortopédicas e infiltrações intra-articulares podem ajudar no controle da dor e na preservação da mobilidade. Já nos casos avançados, pode ser indicada a cirurgia, que varia desde procedimentos preservadores até a artrodese ou colocação de prótese.
Já no caso do joanete, o tratamento inicial envolve adaptações nos calçados, uso de separadores de dedos e palmilhas que reduzem a pressão sobre a saliência óssea. Quando essas medidas não apresentam resultados satisfatórios e a dor ou deformidade prejudicam a qualidade de vida, a cirurgia corretiva pode ser indicada.
É importante ressaltar que nem toda cirurgia de joanete é igual: existem diferentes técnicas cirúrgicas que devem ser escolhidas de acordo com o grau de deformidade e o perfil do paciente. Em muitos casos, a cirurgia não apenas corrige o dedo, mas também melhora a distribuição da carga no pé.
Quando Procurar um Especialista
Tanto no hálux rígido quanto no joanete, procurar atendimento médico especializado é fundamental para um diagnóstico correto e definição de tratamento adequado. Muitas vezes, o paciente confunde as duas condições e atrasa a busca por ajuda, o que pode piorar os sintomas e favorecer a progressão da doença.
Se você apresenta dor persistente no dedão do pé, dificuldade para movimentá-lo ou deformidade visível, é recomendável agendar uma consulta com um ortopedista especialista em pé e tornozelo. A avaliação clínica, associada a exames de imagem, é indispensável para o diagnóstico correto e início do tratamento.
A artrose no dedão do pé (hálux rígido) e o joanete (hálux valgo) são condições distintas que podem comprometer a mobilidade, a estética e a qualidade de vida. Apesar das diferenças, ambas exigem atenção médica para um diagnóstico e tratamento adequados.
Se você sente dor ou percebe alterações no formato do seu dedão, agende uma consulta. Com a avaliação adequada, será possível identificar a causa do problema e iniciar o tratamento o quanto antes.

Dra. Ana Paula Simões Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.

Previous Post
