Fratura por estresse, e agora, quando eu volto?

A fratura por estresse é uma lesão muito comum nos esportes, que pode se apresentar mesmo quando o atleta não sofreu nenhum trauma ou queda. Geralmente ela ocorre por conta do “overuse”, que é a sobrecarga causada pelo exercício, mas pode ter outros *fatores associados. Essas fraturas consistem em pequenas fissuras no osso, que acontecem com a repetição excessiva de movimentos como saltar, ou durante longas corridas.

Dentre os *fatores de risco para a ocorrência desse tipo de lesão, podemos mencionar:

  • Erros de treinamento;
  • Progressão rápida do treino;
  • Volume;
  • Aumento súbito, sem respeitar a gradualidade do exercício;
  • Calçado inadequado (sem amortecimento ou muito desgastado);
  • Solo muito rígido, irregular ou com desníveis;
  • Condições climáticas extremas;
  • alterações hormonais e/ou metabólicas
  • deficts nutricionais
  • outros .

Algumas características inerentes ao atleta também podem contribuir para essa lesão, como o tipo de pisada, queda na massa muscular, baixo condicionamento e flexibilidade, discrepância no tamanho dos membros, predisposição genética, entre outros, e quem avalia isso é o ortopedista.

Aliando um ou mais fatores, o músculo acaba incapaz de proteger as estruturas ósseas, e com a sobrecarga repetitiva, pode acontecer uma microfratura. Uma vez que essa lesão não for notada, a repetição dos exercícios pode gerar uma fratura completa. Isso acontece porque a capacidade de regeneração do osso não consegue acompanhar as lesões causadas pelos impactos consecutivos. O sintoma mais comum é a dor local imediata, que aumenta com a continuidade do exercício, muitas vezes associada à mudança de volume/intensidade de treino.

Como é feito o diagnóstico?

Havendo a suspeita da lesão e queixa de dor por parte do paciente, o médico irá realizar uma investigação completa dos fatores de riscos, as características da dor e a realização de exames físicos. Para definir o diagnóstico, será necessário realizar exames de imagem, como a radiografia, ressonância magnética e cintilografia óssea, por exemplo, mas quem deifine o exame é o médico após o exame físico.

O local da fratura vai determinar qual o risco dessa lesão e qual deve ser o tratamento aplicado. Com base no diagnóstico, o médico consegue determinar o prognóstico, e como será a evolução dessa fratura de acordo com o tratamento:

  • Fraturas de alto risco: nesse caso, a fratura pode levar mais tempo para se consolidar, e o paciente corre mais risco de recorrência dessa lesão. Os ossos mais afetados nesse tipo de fratura são o colo do fêmur, maléolo medial, córtex anterior da tíbia, patela, tálus, navicular e base do segundo e do quinto metatarso.
  • Fraturas de baixo risco: essas fraturas apresentam um melhor prognóstico e melhor potencial de recuperação. A consolidação óssea acontece de maneira mais fácil por conta da força de compressão axial. Mais comuns no calcâneo, diáfase femoral, diáfase tibial, ulna, costelas, ramos púbicos, pars interarticulares, rádio e sacro.

Tratamento da fratura por estresse

A primeira etapa do tratamento é a redução da sobrecarga óssea sofrida na área, além da redução do treinamento. Para que a recuperação seja possível, o paciente também pode receber a prescrição de medicamentos analgésicos e de suporte, muitas vezes é  acompanhado de fisioterapia para ajudar na consolidação e manutenção da força. Dependendo do local da lesão, pode ser feita a imobilização do local. Geralmente, a recuperação desse tipo de fratura ocorre em 6 a 12 semanas.


Para que o atleta consiga retomar as suas atividades de forma plena após uma fratura por estresse, é essencial que o atleta passe por um acompanhamento multidisciplinar completo. É muito importante que o condicionamento cardiovascular seja mantido, além do fortalecimento muscular. Podem ser aplicados exercícios dentro d’água, como a natação e o deep running, e a bicicleta ergométrica por exemplo.

Deve-se respeitar a capacidade física do paciente, e realizar a progressão dos exercícios conforme a dor melhora. Para que haja o retorno ao esporte, o paciente deve ser avaliado por um Médico do Esporte, de forma a prevenir futuras lesões e complicações na recuperação. Caso as atividades físicas sejam retomadas sem que haja essa liberação, existe o risco de prejudicar a consolidação óssea e desenvolver pseudoartrose.

Nesses casos, pode ser necessário adotar uma abordagem mais invasiva no tratamento, como a intervenção cirúrgica, assim como em algumas fraturas de alto risco. A recuperação deve ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar, faz também se é necessário, que o atleta mantenha um acompanhamento contínuo com esses profissionais para prevenir novas lesões. 

A realização de um treinamento adequado, aliada ao fortalecimento muscular, são estratégias essenciais para prevenir as fraturas por estresse e retorne apenas após a consolidação e prevenção

bons treinos valentes!

Dra. Ana Paula Simões
Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.

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