Tendinite – a dor que me acompanha!

A tendinite é uma condição que pode acometer diversas regiões do nosso corpo, como o ombro, punho, joelho, cotovelo ou tornozelo, podendo ser crônica ou aguda (quando o histórico é recente). Ela é caracterizada pela inflamação ou irritação do tendão, causando dor irradiante no local. Alguns movimentos podem piorar a dor e resultar em diminuição de força.

A causa mais comum desta condição é o excesso de esforço durante a realização de atividades físicas (overuse) ou trabalho (lesão por esforço repetitivo), ou até mesmo por um trauma local. Pessoas que têm um baixo condicionamento físico, problemas posturais, ou utilizam o membro afetado em uma posição inadequada, estão mais propensas a desenvolver a tendinite. Ela também pode ter origem em doenças autoimunes; fatores genéticos ou até mesmo alterações constitucionais do colágeno.

Por conta da repetição de movimentos, a tendinite é muito comum em atletas de vôlei e tênis, dançarinos, pianistas, operários, e pessoas que trabalham com informática.

Além da avaliação clínica e estudo do histórico do paciente, o médico também pode solicitar a realização de exames complementares, como radiografia, ressonância magnética e ultrassonografia. Esses exames vão ajudar o médico a esclarecer qual o tendão que foi acometido e eliminar outras condições.

O principal sintoma que a tendinite produz é a dor, seguida de sensibilidade, rigidez e inchaço, dependendo da inflamação e da região que foi afetada. Na presença de dor persistente, é essencial buscar a ajuda de um médico ortopedista para realizar o diagnóstico e prescrever o melhor tratamento para a condição.

Quais os tipos mais comuns de tendinite?

Tendinite no ombro

Esse tipo de tendinite é mais comum em pacientes entre 40 e 50 anos de idade, e causa dor intensa nas articulações do ombro, e a dor pode irradiar para os braços. Por conta da localização da inflamação, esse tipo de tendinite pode impactar a mobilidade e capacidade funcional do paciente, prejudicando a realização das atividades mais simples do dia-a-dia.

Uma vez determinado o diagnóstico, a maioria dos casos pode ser resolvido com uma abordagem conservadora, com o uso de medicamentos para dor e controle da inflamação. Além disso, também pode ser prescrito o tratamento fisioterapêutico ou a infiltração com corticóides diretamente na região afetada.

Tendinite patelar

Também conhecida como joelho de saltador, a tendinite patelar afeta o joelho, principalmente de atletas que realizam movimentos contínuos de extensão súbita do joelho, como saltos, chutes e corrida. Esses movimentos podem gerar microlesões no tendão patelar, desencadeando um processo inflamatório.

O diagnóstico é realizado pelo médico ortopedista através de uma avaliação clínica e a realização de exames de imagem.

Tendinite no quadril

Mais comum em pacientes com mais de 50 anos de idade, a tendinite no quadril é uma condição bastante recorrente, principalmente entre indivíduos do sexo feminino. O sintoma mais recorrente dessa condição é a dor no quadril ao dormir ou deitar de lado sobre o quadril, podendo apresentar também a queimação e o desconforto na região afetada.

Além de impedir que a pessoa passe muito tempo na mesma posição, essa sensibilidade também pode ser desencadeada durante a realização de determinados movimentos ou esforços, como caminhar, subir e descer escadas, sentar e levantar, entre outros. O tratamento inicial costuma ser conservador, acompanhado de fisioterapia para o fortalecimento, medicamentos para controle da dor, e repouso.

Tendinite no pulso

A tendinite no pulso é considerada uma Lesão por Esforço Repetitivo (LER), e causa dor intensa no pulso, inchaço, vermelhidão e sensação de calor ao redor dessa articulação. Alguns pacientes também relatam a sensação de crepitação durante a movimentação do pulso por conta do movimento dos tendões. O tratamento dessa condição é semelhante ao aplicado em outros tipos de tendinite.

O tratamento da tendinite

Quem sofre com essa condição, independentemente de qual tipo, sabe que conviver com a dor é uma tarefa muito difícil, e é necessário encontrar formas de aliviar os sintomas para manter a qualidade de vida. O tratamento da tendinite é específico com o grau da doença, e inclui uma abordagem multidisciplinar para retomar a capacidade funcional do membro afetado.

Inicialmente, o tratamento inclui a fisioterapia e o fortalecimento da musculatura do membro afetado. Na segunda fase, podem ser prescritos medicamentos (analgésicos e anti-inflamatórios) para controle da dor. Apenas os casos mais graves que são tratados com intervenção cirúrgica. Em todos os casos, a fisioterapia é uma valiosa aliada, tanto no tratamento e no pós-cirúrgico, quanto na prevenção da tendinite.

Dra. Ana Paula Simões
Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.

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