Medicina esportiva para corrida de rua

 

Os benefícios da corrida de rua para a saúde são inegáveis. Além de se tratar de um esporte acessível para todos, a corrida é uma excelente aliada na prevenção de diversas doenças e problemas graves de saúde, como a pressão alta (hipertensão), Acidente Vascular Encefálico, infarto, sobrepeso, e muitos outros. Contudo, praticar esse esporte envolve determinados riscos, e precisa de acompanhamento médico. Por esse motivo, a Medicina Esportiva para corrida de rua é uma área de extrema importância para os atletas iniciantes e profissionais.

A corrida de rua vem sendo cada vez mais praticada em todos os cantos do Brasil, e cada praticante tem os seus próprios objetivos. Seja para melhorar o humor, reduzir os índices de colesterol e gordura corporal, ajudar no tratamento de depressão e ansiedade, melhoria da saúde e disposição, ou apenas pela diversão. O mais importante é que o atleta seja avaliado quanto à sua capacidade física, risco de lesões, fatores de risco, doenças pré-existentes, entre outros.

Tipos de lesão na corrida de rua

As lesões na corrida de rua são divididas em dois tipos:

Lesões agudas: que ocorrem de maneira súbita durante a corrida de rua, estando ou não relacionada com algum impacto ou trauma. Nesse tipo de lesão, o mais recomendado é que o atleta interrompa a atividade, pois esse tipo de lesão pode causar alguma ruptura tendinosa ou muscular, e a continuidade do movimento pode piorar os danos.
Lesões crônicas: as lesões por excesso (overuse) são consideradas crônicas, e geram sintomas que podem evoluir com o tempo. Um bom exemplo desse tipo de lesão é a fascite plantar, que pode causar dor, irritação e inchaço na planta do pé.

Lesões mais comuns:

Síndrome da Banda Iliotibial

Também conhecida como tendinite do corredor, a síndrome da banda iliotibial é uma lesão repetitiva muito comum entre corredores de rua, e pode impactar negativamente na continuidade das atividades físicas. Em geral, o paciente sente uma dor intensa na parte lateral do joelho, não devendo ser confundida com outras condições sentidas na região frontal, como a condromalácia patelar ou a dor femoropatelar.

Essa síndrome é causada pelo uso excessivo e por uma combinação de fatores intrínsecos (fraqueza muscular e falta de flexibilidade) e extrínsecos (erros no volume de treinamento, ou local de treino inadequado).

Fratura por estresse

A fratura por estresse não é causada por um grande trauma, como é o caso de fraturas causadas por acidentes e quedas. Ocorre devido à esforços repetitivos e sobrecarga. É uma lesão comum em atletas que sobrecarregam e estão em déficit energético , principalmente entre atletas competitivos que praticam atividades de impacto.

Em esportes e treinos onde há uma grande sobrecarga óssea, como acontece na corrida, por exemplo, o osso acaba recebendo uma grande pressão por impacto . Em uma situação normal, com os microtraumas consecutivos, o osso acaba sofrendo microfraturas que passam por um processo de reabsorção, formando um tecido mais resistente no lugar. Quando isso não acontece, a destruição óssea gera uma fratura por estresse que deve ser tratada o quanto antes.

Além da sobrecarga que ocorre durante a prática de esportes, alguns fatores de risco também podem favorecer esse tipo de fratura, como:

• Aumento súbito da frequência, intensidade e carga dos exercícios;
• Determinadas condições clínicas que podem reduzir a resistência do osso, como a osteoporose e a utilização de alguns medicamentos por um longo período de tempo, por exemplo;
Problemas musculares e posturais;
• Problemas de alinhamento das articulações;
• Falta condicionamento físico e fortalecimento inadequado;
• Sobrepeso;
• Carência nutricional;
• Entre outros problemas.

O principal sintoma da fratura por estresse é a dor local intensa no momento da lesão, podendo ser acompanhada de inchaço localizado. As atividades devem ser interrompidas imediatamente para evitar a piora das lesões. É necessário buscar ajuda médica imediata para que o médico possa prescrever o melhor tratamento.

Canelite

A síndrome do estresse tibial medial, conhecida como canelite, é caracterizada pela inflamação da membrana que envolve o osso da perna (tíbia). Essa inflamação é resultado das forças de tração realizadas pelas musculaturas que acabam se prendendo de alguma forma no local. Essa condição é bastante comum entre atletas, corredores, dançarinos, etc. Com o excesso de atividades físicas, a região acaba sofrendo uma sobrecarga.

Através de uma avaliação física completa, o médico conseguirá realizar o diagnóstico correto da canelite e estabelecer qual o melhor tratamento para o caso. Em geral, o paciente com canelite apresenta dor antes de iniciar a atividade física, que melhora gradativamente conforme o corpo aquece. Após a atividade, quando o corpo retoma a temperatura anterior, a dor tende a piorar.

Contudo, quando a dor for muito intensa ou impedir que o atleta continue com as suas atividades, é provável que tenha ocorrido alguma fratura por estresse, sendo necessária a avaliação imediata.

Evitando lesões

Para evitar lesões na corrida de rua, é importante que os corredores se preparem previamente antes de iniciar qualquer corrida, com fortalecimento muscular, alongamento e hidratação constante. Também é importante manter uma alimentação adequada para evitar um possível mal estar durante a corrida.

Além disso, para quem deseja praticar corrida de rua de forma habitual, é imprescindível contar com a ajuda de um médico especialista capaz de avaliar a sua capacidade física e sua condição corporal. Com os exames adequados, o médico consegue determinar o risco da prática para cada indivíduo e tomar as providências necessárias para evitar problemas cardíacos ou lesões.

Outro fator extremamente relevante, é utilizar o calçado correto nos treinos e maratonas. Isso porque, por possuírem a capacidade de absorver melhor o impacto, os tênis específicos para corrida que possuem placa de grafeno ou outro material, ajudam a proteger o atleta e melhorar sua performance. De acordo com a Dra. Ana Paula Simões, em entrevista na Casa do Corre:
“O interessante de falar sobre a placa e seus benefícios, é exatamente o tipo de caso que aparece no consultório, quando a pessoa aparece com dor nos dedos. Quando a gente apoia o pé no chão e empurra, acontece uma quebra natural, que é sentida pelas mulheres que utilizam salto alto. A placa não deixa isso acontecer, ela une o pé em um bloco único de dispersão de energia e evita a quebra dos metatarsos, aliviando a dor. Quem ter dor na frente do pé, a placa é uma solução eficiente, pois ela alivia o impacto e a quebra nos metatarsos. É praticamente um tratamento.”

A absorção de impacto pode fazer toda a diferença na hora da corrida. Como todo o impacto do corpo fica por conta dos nossos pés, é muito interessante contar com um recursos extras para ajudar a proteger as estruturas e reduzir o risco de lesões.

“Essa absorção serve para que o seu corpo não sofra com o excesso de impacto e desenvolva fasceíte, esporão, tendinite do Aquiles, a dor na parte de trás do pé. Os drops muito baixos acabam absorvendo pouco e proporcionando mais impulso. Com a utilização de calçados com drops mais altos, a energia do movimento é dispersada de forma mais eficiente, aliviando as dores no retropé, da canelite, entre outros.”

Dra. Ana Paula Simões
Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

× Entre em contato!