Torci o pé, o que fazer? Como tratar a entorse de tornozelo?

A entorse de tornozelo é uma das lesões mais democráticas, pois pode acontecer com crianças, adultos, atletas, sedentários, etc. Ela pode ocorrer durante a prática de atividades físicas,principalmente em esportes com mudanças de direção lateral , mas tb ocorre numa caminhada, ou até mesmo ao se levantar da cama. Por esse motivo, é importante saber como proceder nesse caso e garantir o melhor tratamento de acordo com o grau da lesão.

Antes de mais nada, precisamos entender porque a entorse de tornozelo acontece, e quais são os fatores relacionados. Geralmente, essa lesão ocorre devido à uma mudança muito brusca de direção, ou quando o pé fica fixo no chão durante um movimento de rotação. Na realidade, não é necessário um grande impacto, bastando um movimento anormal dessa articulação. Existem tipos diferentes de torção:

Inversão: nessa lesão o pé vira pra dentro, e acaba afetando o ligamento talofibular anterior, que fica localizado entre as bordas da fíbula e do tálus.

Eversão: nesse caso, o pé acaba virando para fora, e pode causar uma lesão mais grave nos tendões e ligamentos.

Rotação: na lesão por rotação, o tornozelo acaba sofrendo uma rotação maior do que a suportada em qualquer direção. Nesse caso, os ligamentos responsáveis pela união da tíbia e da fíbula podem ser afetados, prejudicando a estabilidade do tornozelo.

No geral, a entorse de tornozelo é causada pelo movimento anormal do tornozelo, fazendo com que a articulação saia da sua posição habitual. Atletas de todas as modalidades estão sujeitos a essa lesão, principalmente por conta dos movimentos repentinos. Embora todas as pessoas estejam sujeitas a esse tipo de lesão, alguns fatores podem aumentar o risco, como o uso de calçados inadequados, salto alto, muito largos, entre outros.

Além disso, pessoas com um baixo fortalecimento muscular também estão mais sujeitas às entorses de tornozelo.

Quais os sintomas da entorse de tornozelo?

A entorse de tornozelo pode ser bastante dolorosa, principalmente por conta do estiramento dos ligamentos da região. Dentre os principais sintomas, podemos citar:

Dor local;
Dificuldade para caminhar ou apoiar o pé;
Inchaço;
A área afetada pode ficar arroxeada, geralmente após 48 horas após a lesão;
Sensibilidade ao toque;
Sensação de calor e aumento da temperatura no local.

Graus de entorse de tornozelo

Dependendo de como a lesão ocorreu, e de quais estruturas foram impactadas, a entorse de tornozelo pode variar de ligeira a grave. A classificação é feita da seguinte forma:

Entorse de Grau 1: conhecida como ligeira, essa lesão é caracterizada pelo estiramento leve e rupturas microscópicas das fibras que compõem os ligamentos. Nesse caso, a região pode apresentar sensibilidade e inchaço.

Entorse de Grau 2: ela lesão é considerada moderada, apresentando uma ruptura parcial do ligamento. Nesse caso, há mais sensibilidade e inchaço no local.

Entorse de Grau 3: essa é a lesão mais grave, caracterizada pela ruptura completa do ligamento. O paciente sente dores intensas e o tornozelo apresenta bastante inchaço, que costuma ocorrer imediatamente após a entorse.

O que fazer após a entorse?

A primeira medida a ser tomada após a entorse de tornozelo é remover o calçado ou outras coisas que estejam na região. Como o inchaço é um dos primeiros sintomas da lesão, é importante deixar a área livre para que o gelo seja aplicado. Outro aspecto muito importante é o alívio da carga, ou seja, o paciente deve evitar apoiar o pé no chão.

O diagnóstico da lesão deve ser feito por um médico especialista, que além do exame clínico, também pode solicitar exames complementares de imagem para identificar a gravidade e as estruturas que foram comprometidas. É essencial que a entorse seja avaliada por um profissional para que seja eliminada a possibilidade de fratura.

Alguns dos exames que o médico pode solicitar, são:
Raio X: esse exame é utilizado para visualizar as estruturas mais duras e densas do corpo, como os ossos. O médico utiliza esse exame para descartar a possibilidade de fraturas, que em alguns casos, podem apresentar os mesmos sintomas que a entorse de tornozelo.

Raio X de stress: diferentemente do raio X convencional, esse exame é executado durante a movimentação da articulação para avaliar o arco de movimento.

Ressonância Magnética: caso o médico suspeite de alguma lesão mais grave, ele pode solicitar uma Ressonância Magnética para avaliar possíveis danos nos ligamentos, cartilagem, ou outras estruturas da articulação.

Ecografia: também conhecida como ultrassom, a ecografia ajuda a observar o comportamento dos ligamentos durante a realização de movimentos. Dessa forma, o médico poderá avaliar a estabilidade do tornozelo e o impacto que a lesão teve na articulação.

Como vimos, as entorses de tornozelo podem ser leves, ou necessitar de uma abordagem mais séria no tratamento. Por essa razão, é essencial buscar a ajuda de um médico especialista para avaliar a lesão e propor o melhor tratamento para cada caso.

Dra. Ana Paula Simões
Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.

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