Qual é a diferença entre fascite e fibromatose plantar?

Qual é a diferença entre fascite e fibromatose plantar?

Qual é a diferença entre fascite e fibromatose plantar? Você sabe? Nesse artigo eu esclareço essa dúvida comum. Leia e entenda!


A doença de Ledderhose ou fibromatose plantar é um processo no qual o corpo forma nódulos duros ou fibromas na parte inferior do pé, ligados à fáscia plantar, o ligamento que sustenta arco.


Os nódulos são benignos e compostos de tecido fibroso (cicatrizes), diferentemente da fascite onde corre apenas uma inflamação desse tecido.


A fibromatose classifica-se como um distúrbio “hiperproliferativo”, ou seja, um distúrbio em que há um crescimento excessivo de tecido e é considerada uma doença rara, diferente da fascite, que é muito comum, principalmente em atletas.


Ambas ocorrem mais comumente em homens do que em mulheres, normalmente na faixa dos 30 aos 50 anos, raramente em crianças e mais comumente em caucasianos.


Tal como acontece com muitos tumores, o Ledderhose não tem causa conhecidas. Já a fascite tem como principal fator a sobrecarga mecânica.


Existem alguns fatores de risco associados à fibromatose, tais como diabetes, doença hepática alcoólica, traumas de repetição e uso de anticonvulsivantes.


Os casos de fibromatose plantar familiar são raros; todavia, a presença de predisposição familiar pode ampliar o risco de desenvolvimento da doença.


Devido à alta taxa de concordância com a contratura de Dupuytren (fibromatose na mão), há suspeita de que um defeito compartilhado no reparo da fáscia após o excesso de atividade de impacto poderia ser o culpado, mas nenhuma etiologia definitiva foi elucidada até o momento, por isso ainda as doenças são confundidas.


Para fazer o diagnóstico, o médico precisa realizar exame físico para encontrar possíveis nódulos na planta do pé e buscá-los também em outras regiões do corpo, bem como colher a história relatada pelo paciente quanto aos sintomas.


Para eliminar outras doenças possíveis, o profissional de saúde também deve prescrever um exame de ultrassom ou ressonância magnética. Outros procedimentos não costumam ser necessários.

O tratamento da fibromatose plantar não costuma ser indicado a não ser que os nódulos estejam suficientemente grandes para causar dor relacionada à pressão e à descarga de peso.


Neste caso, órteses podem ajudar a redistribuir a pressão das lesões nodulares fibróticas, assim como fazemos na fascite.


Medicamentos orais e injetáveis, bem como a onda de choque extracorpórea, mostraram-se adequados apenas para proporcionar alívio sintomático, com este último fornecendo algum amolecimento das lesões.


Radiações ionizantes e injeções intralesionais de corticosteroides mostraram em alguns trabalhos reduzir o tamanho dos nódulos.


O controle do diabetes e a redução do consumo de álcool são de suma importância, assim como a biomecânica da corrida nos casos onde há alteração importante.


Na fibromatose, a cirurgia geralmente resulta em alta taxa de recorrência e, às vezes, em tecido cicatricial doloroso, exigindo nova cirurgia.


Já na fascite, a fasciotomia hoje é feita como uma intervenção percutânea, mostrando bons resultados.


Vale a pena fazer o diagnóstico de forma correta e cuidadosa, pois devido à mesma localização pode haver confusão, quando na verdade as doenças são bem diferentes uma da outra em vários aspectos, principalmente no prognóstico.


Bons treinos!


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Dra. Ana Paula Simões
Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.

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