Coalizão tarsal – Entenda a fusão dos ossos do pé

Coalizão tarsal - Entenda a fusão dos ossos do pé

A Coalizão Tarsal é uma fusão ou colagem dos ossos do tarso no pé. Os ossos tarsais são sete e estão localizados na parte de trás do pé. É uma doença congênita, o que significa que você nasceu com ela. A condição pode começar embriologicamente, no entanto, só pode tornar-se sintomática após a coalizão ossificar ou a coalizão fibrosa se desenvolver.

Definição da coalizão tarsal:

A Coalizão Tarsal refere-se à união de dois ou mais ossos do tarso por conexões ósseas, fibrosas ou catilaginosas. As formas mais comuns de coalizão tarsal são talocalcaneais e calcaneonaviculares. Existe uma proporção aproximada entre homens e mulheres de 2 por 1.

 

Sintomas:

Os sintomas incluem dor na área do meio do pé em adolescente,s que normalmente é sentida após treinamento ou atividade física de impacto. Às vezes a condição torna-se óbvia após uma entorse de tornozelo ou um evento traumático quando a dor não parece melhorar e você descobre que a tem através de exames de imagem.

Outros sinais da coalizão tarsal incluem:

– o colapso do arco do do pé, pé fica plano (chato)
– movimento reduzido na articulação do tornozelo
– o atleta pode caminhar com queixa de rigidez no pé e no tornozelo

Os sintomas geralmente não aparecem até que os ossos tenham começado a amadurecer, fechamento da fase de crescimento que ocorre entre as idades de 10 e 16 anos. No entanto, algumas pessoas não apresentarão sintomas até mais tarde na vida, possivelmente se começarem a se exercitar ou sofrerem uma entorse no tornozelo, por exemplo.

A ossificação ocorre em diferentes idades dependendo dos ossos envolvidos. Talonavicular, entre 3 e 5 anos, calcaneonavicular, entre 8 e 12, e finalmente o talocalcaneal, entre 12 e 16 anos. As coalizões podem ser assintomáticas em até 75% dos pacientes. Essas coalizões podem posteriormente causar problemas na idade adulta afetando a mobilidade na biomecânica do pé durante principalmente esportes de impacto.

O atleta pode se queixar de sintomas da síndrome do túnel tarsal, que podem ser causados ​​por uma coalizão desconhecida dos ossos do tarso. O diagnóstico é feito após um exame completo com antecedentes médicos completos. Um raio-X pode evidenciar a coalizão óssea, e uma ressonância magnética pode mostrar além da barra óssea, a coalizão fibrosa e cartilaginosa que são variações.

Causas:

Os ossos envolvidos são os calcâneos, talus, navicular, cuboide e os três ossos cuneiformes. As articulações mais comuns a serem afetadas são a articulação calcaneonavicular entre o calcâneo e o navicular e a articulação talocalcaneal entre talus e calcâneo.

Geralmente afeta adolescentes, pois as articulações fibrosas ou cartilaginosas entre os ossos começam a ossificar e endurecem. Isso provoca uma diminuição do alcance do movimento no retropé causando tensão na articulação do tornozelo. A coalizão tarsal pode ocasionalmente se desenvolver na vida adulta devido a uma infecção ou artrite nas articulações. Podem ser encontradas incidentalmente com sintomas prolongados após lesões no tornozelo.

Diagnóstico diferencial:

Fratura de estresse, osteocondrose, osteocondrite dissecante, lesão osteocondral, entorse de tornozelo, osteonecrose e osteomielite.

Tratamento para a coalizão tarsal: 

Conservador: modificação de atividade reduzindo a atividade de impacto com umperíodo de descanso de 4-6 semanas. Se não houver nenhuma melhoria, considerar uma bota ou uma tala pelo mesmo período. Após o diagnóstico, o pé pode ser colocado numa palmilha sob medida para permitir um descanso adequado e reduzir a dor e a inflamação. Após este período, os problemas biomecânicos devem ser corrigidos também com fisioterapia. Também podem ser recomendados exercícios para melhorar a mobilidade. As injeções de corticosteróides às vezes também são recomendadas para aliviar as dores.

Cirurgia: se o tratamento conservador falhar, a cirurgia para a coalizão tarsal pode ser necessária. Pode ser usada para retirar ou eliminar o excesso de crescimento ósseo, ou seja, deve ser realizada a ressecção em pacientes com sintomas leves a moderadamente sintomáticos

Artrodese: se a ressecção ou a excessão falharem, pode ser necessária, o que significa fundir completamente as duas articulações.

Saiba mais: Edema ósseo (Contusão óssea): Lesão comum em atletas

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Dra. Ana Paula Simões
Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.

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