Dedos dos pés tortos e Deformidade nos pés – Como lidar no esporte?

Dedos dos pés tortos e Deformidade nos pés – Como lidar no esporte?

É comum vermos atletas com os dedos dos pés tortos. Essas deformidades ocorrerem nos pés humanos, sejam congênitas (genéticas ou posturais); sejam adquiridas (pós-trauma ou devido ao uso de calçados fechados e até mesmo na prática esportiva como ballet devido a sapatilhas, futebol devido à chuteira, ou na corrida devido ao tênis apertado).

A Medicina ortopédica evoluiu e diversos tratamentos existem hoje para estas deformidades, paliativos e curativos. Mas, apesar de muito conhecimento, e talvez por muitas opções, ainda acontece de termos dúvidas, de QUAL tratamento indicar para CADA paciente? Ou seja, pode ser que dois pacientes com deformidades semelhantes sejam tratados com mesma terapia e o resultado não agrade à um deles. Assim como, terapias diferentes podem agradar a ambos.

Deformidades ortopédicas não são doenças, pois doenças são aquelas que aumentam o risco do indivíduo morrer. Mas também não são anormalidades meramente estéticas.

Nós especialistas em pés recebemos pacientes com joanetes, dedos em garra, e outras queixas que podem gerar DESCONFORTO. Este pode ser físico: dor ou incapacidade funcional ( dificuldade correr 42 km numa Maratona; para dançar 4h com salto alto; ou mesmo para trabalhar com calçados fechados ); ou emocional: paciente simplesmente não gostar de ter pés com deformidades.

Quando procurar ajuda para os dedos dos pés tortos?

Dê preferência há um especialista pela ABTpé (associação brasileira de cirurgiões do tornozelo e pé), que vai avaliar este desconforto e indicar o melhor tratamento para a queixa do paciente, que pode ser Paliativo ou Curativo, mas que contemple a expectativa.

Diferente das doenças que precisam ser curadas para preservar a vida, algumas deformidades nos pés podem ser toleradas, pois não repercutem em incapacidades significativas e nem geram desgosto inibitório. O que não pode é doer, causar calos e nos atletas: perder performance. Nestes casos vale buscar ajuda.

Tratamento 

Com advento das técnicas cirúrgicas Minimamente Invasivas, eis que surgiram mais opções para tratar estas irregularidades; inclusive selecionar, em deformidades co- existentes, qual necessita correção e qual pode ser tolerada. Exemplificando: um joanete num pé plano ( pé chato): pode ser tratado somente o joanete cirurgicamente, e usar palmilha para deformidade plantar.

Talvez aconteça de o cirurgião ao avaliar um pé com múltiplas deformidades tenha a boa intenção de corrigi-las todas. Porém estas correções associadas podem exigir que o paciente seja submetido a um tratamento cirúrgico mais agressivo e a recuperação pós-operatória seja mais restritiva e sofrida. Isto seria realmente necessário?
Por outro lado, ao deixar alguma deformidade sem correção poderá o paciente dizer que o cirurgião evitou uma cirurgia? Uma deformidade que não incomoda poderá vir a incomodar algum tempo depois e uma nova cirurgia poderá ser complementar?
É provável que sim; mas se bem esclarecido antes e com possibilidade de uma intervenção mínima, o paciente poderá recuperar-se mais tranquilamente em cada um dos procedimentos. E hoje damos preferencia em faze-las por etapas e de forma menos invasiva.

Técnica moderna

Uma cirurgia Minimamente Invasiva consiste em: menores incisões, menor dissecção tecidos, menos anestesia e menos tempo de hospitalização, possibilidade de não usar implantes, menor tempo para recuperação e retorno atividades de rotina, menos necessidade de usar medicações (analgésicas e tromboprofilaxia).

O especialista vai buscar corrigir por uma via que chamamos de percutânea, utilizando uma broca e fazendo as osteotomias ( correções osseas).

Seguimos evoluindo com métodos de avaliação cada vez mais fidedignos e avançados. Com instrumentais cirúrgicos mais precisos. Porém não encontramos pés humanos idênticos, nem num mesmo indivíduo com só dois pés.
Assim, resta-nos otimizar a avaliação dos pés, ouvir as queixas dos pacientes e propor tratamentos com objetivos que satisfaçam as expectativas. Em vez de corrigir somente baseado em aparências. O que vale no final das contas é que vocês, entendam que já podemos corrigir as deformidades e de forma menos agressiva, deixar os pés mais funcionais para que continuem nas atividades diárias e esportivas sem queixas.
Bons treinos, valentes!

Bernard Fábio Meyer, CREMERS 20693, TEOT 6874
Ana Paula Simões, CRMSP 108667, TEOT 10159

Dra. Ana Paula Simões
Médica do esporte, ortopedista e traumatologista, professora instrutora e mestre pela Santa Casa de São Paulo, especialista em medicina esportiva e cirurgiã do tornozelo e pé.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

× Entre em contato!